sábado, 20 de junho de 2009

Um menino chamado João

Nasceu no mês de Julho, tem já muita história pra contar.
Nasceu para ser feliz, e muita coisa aprontar.
Nasceu em pé-de-guerra, sem limites para estar.
Nasceu do estourar de uma bolsa, que a parteira esqueceu de avisar.

Cresceu como guri, sempre tendo o que contar.
Cresceu puxando o estilo, e as meninas a babar.
Cresceu em pé-de-guerra, para se aventurar.
Cresceu tanto, que foi navegar.

Viveu em alguns momentos se lamentando
Em outros se estourando
Em muitos se codificando
Pra ninguém o perceber.

Mas não teve jeito, menino João
Você nasceu e cresceu.
Não dá mais para amenizar
Você já é um homem, mas pode ainda chorar.

Viva a vida, menino João
Louve a Jah, Ele foi generoso contigo
Te deu a vida, te deu a mim.
Crescemos juntos, brincamos e alegramos.
Choramos muitas vezes baixinho, escondidos no canto da porta.
Mas não se preocupe, ninguém pôde escutar.
Ou até mesmo se preocupe, ninguém pôde nos ajudar.

Menino João, se eu pudesse contar
O meu amor por você
Nem mesmo as estrelas suportariam, iriam ficar com ciúmes
Pois seria bem mais que elas.

Menino João
Quanta saudade que eu sinto
Das nossas aventuras e nossas andanças de mãos dadas.
Das nossas conversas ao pé-do-ouvido
Que tanto costumávamos ter.

Tua irmã se chama Maria
E eu não me chamo Joaquina
Mas a nossa vida sempre foi de Morte e Vida Severina.
Na luta, na derradeira.
Nas confusões, no lamento.
No nascer de mais um menino, que é pra o povo ficar feliz.

Até pouco não sabiam da nossa história
Mas ninguém vai saber contar
As nossas aventuras, nossas leituras, nossas espadas.
De tudo que um dia vivi contigo, vivesses comigo.
Nasceste João
Cresceste João
Viveste João
Amasses João
Me destes muito amor, mas também muita dor.
Me fizesses querer fugir, sair daqui.
Mas eu prometi a ti, que se fugisse seria contigo.
Pra deixar todos de cara lavada da nossa proeza.
E ainda íamos saltitando em piruetas.

Sem ti João, minha vida anda tão vazia
Minhas alegrias já nem mais se consideram
A rua descansa deserta
Os cachorros correm livres
Os pássaros já nem pousam mais em minha janela.
Mas espero que tu volte logo.
Já não aguento de tanta saudade.
Volta logo menino João
E vem me pôr na mão
As borboletas que costumávamos colecionar.

Vem menino João
A vida nos espera, ainda temos que alegrar.
Curtir MV Bill, e "alguém nos chamar"
Seria Racionais?
Nossa, a vovó odiava esse som
Não curtia nem de leve
Dizia que era coisa de malandro
Mas não sabia ela, que eles cantam a nossa música
Nossa infância, nossa juventude.
Parece até que eles nos conheceram.

Lembro-me daquela música que costumávamos cantar:
a do Guina, lembra?
Só quero que você volte, meu querido.
Me dê essa alegria, acho que era tudo que eu queria.
Vamos fazer a história mudar
Vamos revirar a vida
E dar a volta por cima.
A gente é forte, já aguentamos tantas.
E não é a distância que vai apagar a esperança
Não é a distância que vai nos fazer desistir.
Estou orando a Jah por você
Pra que Ele possa te proteger.
Te dar paz, até mesmo no inferno.
Te dar esperança, pra essa vida que anda tão vazia.
Te dar a certeza, do meu amor.

E eu fico por aqui
Parei de escrever e vou dormir.
Ah, mas antes, meditar a Jah
Pedir a ele que conforte
E acabe logo com essa saudade


Eu nem prometo não chorar
Mais eu prometo me controlar
E acho até que vou parar
Antes que comece a embassar.

A única coisa a mais que tenho a dizer
É que a gente vai lutar junto
Dá felicidade e orgulho a vovó
Estar juntos em mais um dia
Pra poder quem sabe curtir um baguette, um reggae
E regar o amor.
Ele sim alimenta, faz esperar
Orienta.

Eu acredito no amor.
Ele me mantém viva até hoje.
Eu só tenho a dizer que eu te amo!


(Poesia marginal?)
( Crônicas de uma vida real - marcante, de uma saudade que tinha que ser colocada no papel)


JehuLucena!

Um comentário:

Danileira moraes disse...

Muito curiosa, porém, muito bem escrita.. deu vontade de saber quem é o tal menino João rsrsr... Será q ele existe ou é apenas um fruto de vossa mente?